Ronaldo 'Fenômeno' durante reunião do Conselho do Cruzeiro

Diretor financeiro diz que houve ‘perigo real’ de Ronaldo não adquirir SAF do Cruzeiro e revela o que foi decisivo para compra

05/05/2022

Diretor financeiro do Cruzeiro, Raphael Vianna contou bastidores da SAF durante participação em evento de consultoria, nesta quinta-feira (5)


Durante evento da consultoria TMA Brasil, nesta quinta-feira (5), sobre as SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) do futebol nacional, o CFO (diretor financeiro) do Cruzeiro, Raphael Vianna, contou detalhes do processo de aquisição da S/A da equipe mineira pelo empresário Ronaldo “Fenômeno”, que agora é dono de 90% das ações do clube. 

Segundo Vianna, houve “perigo real” de R9 não confirmar a compra das ações, o que levaria o processo de venda da Raposa de volta à estaca zero.

No entanto, o fato da votação do Conselho Deliberativo do time mineiro ter aprovado todas as exigências do gestor, no dia 4 de abril, fez com que Ronaldo desse o “OK” final e confirmasse a compra da SAF.

“Durante a diligência (para compra da SAF), a gente percebeu que precisava da autorização do Conselho. Se os pontos não fossem aprovados, no início de abril, provavelmente a gente sairia da operação”, admitiu o diretor financeiro.

“Para ter mais segurança legal, a gente pediu essa autorização, que era possibilidade de o Cruzeiro entrar em recuperação judicial e recuperação extrajudicial, que é algo bastante complexo, e as vendas dos centros de treinamento para a SAF, que antes seriam alugados. Foi feito em troca do pagamento da dívida tributária do Cruzeiro”, explicou.

Na palestra, Vianna ainda salientou que, se Ronaldo não tivesse assumido a SAF celeste em dezembro do ano passado, mesmo sem ainda ter as garantias necessárias para fechar o negócio de forma definitiva, a Raposa corria o risco de sequer conseguir inscrever jogadores para esta temporada.

“Existia um grande risco do Cruzeiro de não registrar jogadores na primeira janela de transferência em janeiro e existia um risco muito grande de os jogadores ficarem sem salários, porque a folha era extremamente cara, extremamente fora dos padrões da Série B”, observou.

No momento, aliás, a redução da massa salarial é uma das grandes prioridades de Vianna.

Segundo o dirigente, a equipe do “Fenômeno” já conseguiu baixar o valor anterior em 60%, mas o objetivo é uma redução ainda maior.

“A gente reduziu a folha do futebol de 60%. Saímos de R$ 90 milhões para algo em torno de R$ 37, R$ 35 milhões”, contou.

“Não conseguimos chegar a todas as reduções que a gente queria, porque o negócio do futebol é muito de longo prazo. As decisões são extremamente caras. As decisões que você faz agora elas vão te acompanham nos próximos três, cinco anos”, argumentou.

Por fim, Vianna ainda fez vários alertas e salientou que a SAF do Cruzeiro pode ser “contaminada” se não conseguir pagar ao menos 60% do valor da dívida celeste, que é de mais de R$ 1 bilhão.

“A dívida da associação é realmente muito grande. Pode contaminar a SAF, sim, após seis anos, se esse 60% do valor não for pago. Mas temos um plano bem desenhado”, assegurou.

“As partes mais complexas de negociar, já foram superadas com a associação. Faltam pequenos detalhes, e temos que continuar a execução. É extremamente complexo, com bastante surpresas no meio do campo. Se não tivesse a lei da SAF, o grupo não teria feito este investimento”, finalizou.