Felipão na beira do gramado do estádio Independência

Presidente do Cruzeiro abre o jogo e cita divergências que fizeram Felipão e Mattos deixarem o clube

02/06/2021

A derrota na estreia da série B do Brasileirão e situações de um ”passado recente” envolvendo Felipão e Alexandre Mattos fizeram a torcida do Cruzeiro protestar contra Sérgio Rodrigues nas redes sociais. Em entrevista a rádio Itatiaia, o presidente da Raposa explicou tais questões e revelou que o treinador e o diretor de futebol queriam montar um elenco que o clube não tinha condições de manter.

Felipão foi contratado no fim do primeiro turno da série B do ano passado e deixou o cargo antes do fim da competição. Segundo o mandatário, o técnico teria pedido a contratação de atletas que estavam fora da realidade do clube na ocasião.

”Em suma, com o Felipão, não tivemos uma divergência de ideia, mas uma divergência de execução. (…) O Felipão virou para nós, para renovar, e falou que a gente precisava de alguns jogares, e a lista dele tinha jogadores que estão na Série A, que são titulares em seus times, jogadores que estão no exterior, que ganham 50, 60, 70 mil dólares, com o dólar nesse preço… jogador que ganha R$ 400 mil lá fora. E eu falei com ele que o projeto era inexequível”, disse Sérgio Rodrigues.

O dirigente afirmou ainda que chegou a concordar com alguns nomes, mas que não conseguiria arcar financeiramente com tais reforços.

”Eu também acho que os jogadores apresentados por ele seriam essenciais para o Cruzeiro. O Felipão achava que, sem esses jogadores, o Cruzeiro não subiria, e eu tentei explicar que, infelizmente, os jogadores estavam além do que o Cruzeiro poderia contratar. A nossa divergência foi essa. Não foi forma, nem ideia. Eu concordo, acho que os jogadores seriam essenciais, mas eu disse que poderia brigar apenas com as armas que temos. Infelizmente, temos um cenário de salários atrasados, com receitas baixas. Como vou trazer jogadores que ganham R$ 500 mil?”, questionou o mandatário.

Sobre Alexandre Mattos, que deixou a Toca da Raposa em janeiro de 2020, quatro dias depois de ter aceitado ajudar o clube, Sérgio explicou que a falta de poderio financeiro para investir em jogadores, acabou pesando para que o dirigente de futebol não continuasse no cargo.

”Com o Alexandre, foi basicamente a mesma coisa. O Alexandre achou que precisaria de alguns reforços de quilate aqui, mas eu disse que a gente não conseguiria, a menos que viessem de graça, emprestados, ou em outro tipo de situação que eu não creio. Me dou muito bem com ambos. Continuo falando com o Alexandre, até porque já o conhecia de Belo Horizonte, tenho uma amizade maior, e o Felipão tive o prazer de conhecer aqui. Adoro e respeito ele”, disse.